domingo, 26 de julho de 2015

4 anos do clube de leitura Nisia floresta

Transbordar


(Para o Nísia no seu 4° aniversário.)


Tudo aquilo que ultrapassa o ser 

Que a torna mais 

É Potência 

É devir 

É foz e nascente 

É fluente 

É ser e agir no mundo 

Para o mundo 

Com o mundo 

A cada encontro um transpassar de si para a outra 

A cada encontro uma reinvenção de si pela outra 

Um novo ser tão cheia de si que se transborda no ser que há de vir 

Passado e futuro que se torna presente 

Presente transbordante que faz do ser eu um nós 

Que faz de nós, laços 

Que faz de laços

Amizades que transborda o tempo.




Luana Amaral 25-07-15

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sonho d'agua 
O jeito meu de amar É correr, correr,
Transbordar Encher o mar 
A cor do céu Espelhar 
Sonhar alto Querer ser Sanhauá 
Vem que eu te ensino a pescar 
No jaguar Ibe Ide Irei 
Desassorear Correr, correr, 
 Salinar 
Morrer no mar.
Quis ser rei 
Virei escravo seu 
 Eu sei Perdido entre dois mundos 
Sou Invenção do seu amor 
 Já passei Da fase de dizer Não vou 
Desgovernado agora Sou 
Refém do seu amor 
 Cada um sabe a dimensão do seu inferno 
E o céu, tão almejado, quão está distante 
A tristeza, que carrega n'alma, nunca externa 
E a alegria, é falsa luz, no seu semblante
Se, por um momento, a coragem lhe inundasse 
E a vontade de alforriar não contivesse
Quem, de vera, solveria o próprio Impasse? 
Exporia a própria alma numa quermesse? 
Qual de vós não tem um rancor Guardado?
Quem, entre todos não esconde uma Cicatriz? E nunca fez do medo a desculpa para um fim? Quem nessa vida já expiou os seus Pecados Vá na varanda e grite ao mundo que é Feliz 
Junte as pedras do fracasso e atire em Mim 
Cada um sabe a dimensão do seu inferno 
E o céu, tão almejado, quão está distante. 
A tristeza, presa n'alma, um Breu Eterno. 

Despido

DESPIDO


A roupa com a qual me quer não cabe em mim.
Nu, eu não entro no seu mundo. 
Sou julgado por meus trajes vagabundos 
E minh''alma despojada de recalques. 
Eu me dispo dos meus trajes. 
Uso os seus E, entre ternos, viro eterno marionete 
Se ao mundo, os ofendidos e desvalidos 
Tu provares que ama e cuidas como eu. 
Minha roupa, é feito a casca pra Banana Ou a seda que envolve a maçã Não adoça, não salga, nem colore Não aumenta ou diminuí a vitamina Só protege da poeira e dos bichos E que na hora principal se vai ao chão 
Quando não, é embolada e vai pro lixo. O Que importa, o conteúdo e a essência 
Se mantem, mesmo desnudo, inabalado 
Não se mede iniquidade e decadência
Pela marca do suéter ou do calçado. Meu amor, a minha fé e a minha crença São isentas de Vuitton, nike e diadora Desde que o maior ser que o mundo viu Escolheu como berço a manjedoura.

Nonato Jeronimo

quinta-feira, 2 de julho de 2015

LÍRICA

Nunca se viu tanta alma num só corpo.
Nem uma áurea tão brilhante quanto aquela.
E aqueles olhos, faiscando mil colores?
Borrando o dia como se fosse aquarela.
Cada pedaço do seu corpo em movimento
Provoca o aceno das cabeças, sim e não
A cada passo um sentido se aguça.
O salto é um prego de pisar em coração.
Ha! se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu não deixava, por aqui, ela passar
Pra não causar, de uma só vez, tanto alvoroço.
Essa miragem 
Tempestade
Preamar.

Nonato Jerônimo

LÍRICA

Nunca se viu e a memória é quem persiste,
e a alma leva muito tempo pra formar,
o que não perdoa, como tudo o que existe,
nessa fundura que nos suga esse olhar...

Pelo formato dos seus cachos... do seu corpo,
que com cuidado na feitura Deus a deu
Para os desejos dos pecados mais noturnos
ser santidade nos pagãos e nos ateus...

Por sua pele enfeitada pelas cores,
que gentilmente é doada pelas flores
que cada passo, nesse mundo, faz brotar...

Pelo seu nome condenado ao esmero,
que em mim passeia entre o sonho e o desespero,
e mais parece com nascer, viver, em par...

Ely Cabral