Cap. 11 O cio, a recuperação de uma sexualidade sagrada
As deusas sujas
Animais que somos, precisamos manter nossos sentidos ativos e apurados sempre. Estar no cio não é só estar "no fogo do desejo de possuir e ser possuído" pelo ato sexual em si, mas estar atenta aos ciclos e necessidades vitais naturais a cada uma. A sexualidade/sensualidade nos foi sempre remetida a algo impuro, vil.
A etimologia da palavra inglesa "Dirty" lembra isso: Dirty word, dirty sex, dirty mouth, tudo que é feio, sujo, que faz menção a lama, que na verdade não significa a realidade, pois a lama é um ambiente extremamente rico em vida. Traz essa conotação pejorativa do ser sexual instintivo. Ou seja, é da sujeira que viemos e é nela que vivemos. Não se pode nega-la. Nossas histórias engraçadas e sujas podem nos salvar de muitas situações tristes e depressivas. A putaria nossa de todo dia, deixa tudo mais leve. Alimenta a estima. Isso tudo associado ao "riso sexual" nos traz alívio, reorganiza posturas e pensamentos tacanhos, traz vida, nos enche de alegria por estarmos aqui entre acertos e erros. O riso que tem o poder de desfazer e mudar uma condição triste. Nesse capitulo vimos como é importante compreender que precisamos alimentar nossa sexualidade/sensualidade de forma saudável com humor, apesar de nossa cultura e criação ter nos podado e sugerido que "mulheres sérias" na abrem os dentes para todo mundo. Só que mulheres sérias não gozam, pois o riso está diretamente associado ao poder de gozar. Mulheres que gozam riem e riem muito.