domingo, 25 de janeiro de 2015

Cap. 11 O cio, a recuperação de uma sexualidade sagrada

Cap. 11 O cio, a recuperação de uma sexualidade sagrada


As deusas sujas


Animais que somos, precisamos manter nossos sentidos ativos e apurados sempre. Estar no cio não é só estar "no fogo do desejo de possuir e ser possuído" pelo ato sexual em si, mas estar atenta aos ciclos e necessidades vitais naturais a cada uma. A sexualidade/sensualidade nos foi sempre remetida a algo impuro, vil. 
 A etimologia da palavra inglesa "Dirty" lembra isso: Dirty word, dirty sex, dirty mouth, tudo que é feio, sujo, que faz menção a lama, que na verdade não significa a realidade, pois a lama é um ambiente extremamente rico em vida. Traz essa conotação pejorativa do ser sexual instintivo. Ou seja, é da sujeira que viemos e é nela que vivemos. Não se pode nega-la. Nossas histórias engraçadas e sujas podem nos salvar de muitas situações tristes e depressivas. A putaria nossa de todo dia, deixa tudo mais leve. Alimenta a estima. Isso tudo associado ao "riso sexual" nos traz alívio, reorganiza posturas e pensamentos tacanhos, traz vida, nos enche de alegria por estarmos aqui entre acertos e erros. O riso que tem o poder de desfazer e mudar uma condição triste. Nesse capitulo vimos como é importante compreender que precisamos alimentar nossa sexualidade/sensualidade de forma saudável  com humor, apesar de nossa cultura e criação ter nos podado e sugerido que "mulheres sérias" na abrem os dentes para todo mundo. Só que mulheres sérias não gozam, pois o riso está diretamente associado ao poder de gozar. Mulheres que gozam riem e riem muito. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Hilda Hilst 2 - Fundamento para uma existência liberta




“O que muda na mudança,
Se tudo em volta é uma dança
No trajeto da esperança
Junto ao que nunca se alcança?”
(Carlos Drummond de Andrade)

Fundamento para uma existência liberta

Se vives no descompasso
de um amor revolto
Se preferes tempestade
à maresia imposta de
amores impostados

Se valsas em tua existência
com corpos sem fim de acabar
Tens a sabedoria
de saber-se inconclusa:
antes de mulher,
ser humano
antes de sonhadora,
Clódia.


Antonia Simões
19-08-2011

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Hilda Hilst - Liberdade - Novas formas

Liberdade


(Tentando compreender Clódia)

Por que me julgas fácil e sedutora

Se nem mesmo sabes dos meus pensamentos
Só porque cultivo em ti a liberdade do querer
Quero-te livres para que sigas teus desejos e não impeça que os meus se realizem
Quero- me livre para te amar do meu jeito
E te deixando partir não me partas em pedaços de dor
Quando me deixo parti sem ti, é porque sei que te levo comigo
Que partilho a nossa responsabilidade do amor e liberdade
Deixando nos livres, voltamos porque é assim nosso desejo
Não notas que assim te prendo a mim
Prendes-te a mim porque cultivo em ti a liberdade de ir
Condena-me por desejar?
O quanto aos teus desejos, os reconheces?
Achas justo que ignore aquilo que sinto ao me permiti viver outros amores
Queres que compactue contigo nessa dissecação de desejos e vontades?
Não percebes que me amas por eu ser livre
Sem amarras ou fora dos contextos que insistes em me inseri
Cultivando minha liberdade, liberto-te também
O por te sentires livres, tens medo
E dessa forma pretendes me prender.


Novas formas

Desejo outras bocas, para saber se é a tua que sacia minha sede;
Deito-me com outros corpos, para que assim me preencha do vazio que me deixas ao apenas me desejar;
Lanço-me nas aventuras dos novos amores, fazendo dos antigos alicerces de vida;
Não é por ser fácil, sou volátil;
Explodo em desejos,
Queimo totalmente as desventuras dos amores mal resolvidos;
Quero ser feliz nesse momento
O agora me rege, me guia
Nele faço novas formas de ser e de sentir.

LUANA AMARAL
18-08-2011



Florbela 2 - Saudade


E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim.
Florbela Espanca


Saudade

Nesses tempos de despedidas

A saudade é minha melhor companhia
Acompanha-me a cada canto que em me encontro vazia
Vazia das pessoas que fui perdendo nos trajetos da vida
Preenchida de presenças de vidas ausentes
Ausentes do mundo, mas presentes em mim
Como viver esse paradoxo de ser e não ter mais
Isso só a saudade explica, 
Pois é ela que me recheia.
Luana Amaral


Recife, 17/08/2011


Florbela - Canto d’alma


“Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida
Pois se Deus nos deu Voz, foi pra Cantar!”
Florbela Espanca


Canto d’alma
Que minha alma cante
Cante alegre para saudar a vida
Cante em cada canto escuro que me não atrevo ir
Cantos de luz
Que em noites escuras do ser
Seja como uma lua cheia em mar aberto
Guie e mostre um som berrante
Berre em voz grave para que o medo se amedronte
Cante agudamente cada dor que nesse espaço se achar
Soe as belas musicas que nessa alma se encontra
Se encante com esse canto de amor.

Luana Amaral


(Recife, 17/08/2011)