Clube de Estudos Literários Nísia Floresta - Somos mulheres nordestinas e brabas, cheias de vida, histórias e lutas. Utilizamos escritoras que sabiamente nos inspiram e nos provocam, e nesse jogo de achados encontramos umas as outras e nos percebemos como podendo expôs um pouco dessas descobertas. Nesse espaço você encontra muito ou um pouco de cada uma de nós e tentando nos desatar talvez você também possa se encontrar. Então, você que aqui chega, entre, sente-se um pouco e fique a vontade!
domingo, 30 de agosto de 2015
Uma espião na casa do amor Anais Nin
"A culpa de ter o poder se ser mulher. Amor= luxuria + ciumes. O amor apela aos sentimentos mais baixos, envolto em mentiras, como dizer sim, quando se quer dizer não." Ninfomaniaca
Se de uma lado CLB (João Ubaldo) é livre e totalmente liberta das implicações sentimentais, culpas das consequências de seus atos.
Sabina (Anaïs) é a culpa personificada, é a consumação de sentimentos. O contraditório.
O inferno ambulante instável e sombrio.
Mas também é alegria, o céu, todos juntos, ao mesmo tempo, ou em momentos distintos.
O desejar e deixar fluir.
Os ciclos do amor: ansiedade, como um vício em drogas, impulso irresistível, compulsão. Depois de alcançado vem a depressão, submissão, repulsão e recuo.
"Era livre compreendeu que como os homens também poderia sentir prazer com estranhos" (separar amor do sexo). Mas a culpa a persegue (nos persegue) é cultural. Amamos a vários, nos culpamos por isso, podamos nossas vontade, controlamos tudo.
A solidão em meio ao amor. A busca por compreensão e paz. Tudo a magoa. Tudo é imaginado.
E aparecem pessoas que a usam, que pedem força e sabedoria, acolhimento. Buscando o amor e a fé do outro. Nosso pior algoz somos nós.
domingo, 26 de julho de 2015
4 anos do clube de leitura Nisia floresta
Transbordar
(Para o Nísia no seu 4° aniversário.)
Tudo aquilo que ultrapassa o ser
Que a torna mais
É Potência
É devir
É foz e nascente
É fluente
É ser e agir no mundo
Para o mundo
Com o mundo
A cada encontro um transpassar de si para a outra
A cada encontro uma reinvenção de si pela outra
Um novo ser tão cheia de si que se transborda no ser que há de vir
Passado e futuro que se torna presente
Presente transbordante que faz do ser eu um nós
Que faz de nós, laços
Que faz de laços
Amizades que transborda o tempo.
Luana Amaral 25-07-15
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Quis ser rei
Virei escravo seu
Eu sei Perdido entre dois mundos
Sou Invenção do seu amor
Já passei Da fase de dizer Não vou
Desgovernado agora Sou
Refém do seu amor
Cada um sabe a dimensão do seu inferno
E o céu, tão almejado, quão está distante
A tristeza, que carrega n'alma, nunca externa
E a alegria, é falsa luz, no seu semblante
Se, por um momento, a coragem lhe inundasse
E a vontade de alforriar não contivesse
Quem, de vera, solveria o próprio Impasse?
Exporia a própria alma numa quermesse?
Qual de vós não tem um rancor Guardado?
Quem, entre todos não esconde uma Cicatriz? E nunca fez do medo a desculpa para um fim? Quem nessa vida já expiou os seus Pecados Vá na varanda e grite ao mundo que é Feliz
Junte as pedras do fracasso e atire em Mim
Cada um sabe a dimensão do seu inferno
E o céu, tão almejado, quão está distante.
A tristeza, presa n'alma, um Breu Eterno.
Virei escravo seu
Eu sei Perdido entre dois mundos
Sou Invenção do seu amor
Já passei Da fase de dizer Não vou
Desgovernado agora Sou
Refém do seu amor
Cada um sabe a dimensão do seu inferno
E o céu, tão almejado, quão está distante
A tristeza, que carrega n'alma, nunca externa
E a alegria, é falsa luz, no seu semblante
Se, por um momento, a coragem lhe inundasse
E a vontade de alforriar não contivesse
Quem, de vera, solveria o próprio Impasse?
Exporia a própria alma numa quermesse?
Qual de vós não tem um rancor Guardado?
Quem, entre todos não esconde uma Cicatriz? E nunca fez do medo a desculpa para um fim? Quem nessa vida já expiou os seus Pecados Vá na varanda e grite ao mundo que é Feliz
Junte as pedras do fracasso e atire em Mim
Cada um sabe a dimensão do seu inferno
E o céu, tão almejado, quão está distante.
A tristeza, presa n'alma, um Breu Eterno.
Despido
DESPIDO
A roupa com a qual me quer não cabe em mim.
Nu, eu não entro no seu mundo.
Sou julgado por meus trajes vagabundos
E minh''alma despojada de recalques.
Eu me dispo dos meus trajes.
Uso os seus E, entre ternos, viro eterno marionete
Se ao mundo, os ofendidos e desvalidos
Tu provares que ama e cuidas como eu.
Minha roupa, é feito a casca pra Banana Ou a seda que envolve a maçã Não adoça, não salga, nem colore Não aumenta ou diminuí a vitamina Só protege da poeira e dos bichos E que na hora principal se vai ao chão
Quando não, é embolada e vai pro lixo. O Que importa, o conteúdo e a essência
Se mantem, mesmo desnudo, inabalado
Não se mede iniquidade e decadência
Pela marca do suéter ou do calçado. Meu amor, a minha fé e a minha crença São isentas de Vuitton, nike e diadora Desde que o maior ser que o mundo viu Escolheu como berço a manjedoura.
Nonato Jeronimo
quinta-feira, 2 de julho de 2015
LÍRICA
Nunca se viu tanta alma num só corpo.
Nem uma áurea tão brilhante quanto aquela.
E aqueles olhos, faiscando mil colores?
Borrando o dia como se fosse aquarela.
Cada pedaço do seu corpo em movimento
Provoca o aceno das cabeças, sim e não
A cada passo um sentido se aguça.
O salto é um prego de pisar em coração.
Ha! se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu não deixava, por aqui, ela passar
Pra não causar, de uma só vez, tanto alvoroço.
Essa miragem
Tempestade
Preamar.
Nonato Jerônimo
LÍRICA
Nunca se viu e a memória é quem persiste,
e a alma leva muito tempo pra formar,
o que não perdoa, como tudo o que existe,
nessa fundura que nos suga esse olhar...
Pelo formato dos seus cachos... do seu corpo,
que com cuidado na feitura Deus a deu
Para os desejos dos pecados mais noturnos
ser santidade nos pagãos e nos ateus...
Por sua pele enfeitada pelas cores,
que gentilmente é doada pelas flores
que cada passo, nesse mundo, faz brotar...
Pelo seu nome condenado ao esmero,
que em mim passeia entre o sonho e o desespero,
e mais parece com nascer, viver, em par...
Ely Cabral
Nem uma áurea tão brilhante quanto aquela.
E aqueles olhos, faiscando mil colores?
Borrando o dia como se fosse aquarela.
Cada pedaço do seu corpo em movimento
Provoca o aceno das cabeças, sim e não
A cada passo um sentido se aguça.
O salto é um prego de pisar em coração.
Ha! se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu não deixava, por aqui, ela passar
Pra não causar, de uma só vez, tanto alvoroço.
Essa miragem
Tempestade
Preamar.
Nonato Jerônimo
LÍRICA
Nunca se viu e a memória é quem persiste,
e a alma leva muito tempo pra formar,
o que não perdoa, como tudo o que existe,
nessa fundura que nos suga esse olhar...
Pelo formato dos seus cachos... do seu corpo,
que com cuidado na feitura Deus a deu
Para os desejos dos pecados mais noturnos
ser santidade nos pagãos e nos ateus...
Por sua pele enfeitada pelas cores,
que gentilmente é doada pelas flores
que cada passo, nesse mundo, faz brotar...
Pelo seu nome condenado ao esmero,
que em mim passeia entre o sonho e o desespero,
e mais parece com nascer, viver, em par...
Ely Cabral
domingo, 25 de janeiro de 2015
Cap. 11 O cio, a recuperação de uma sexualidade sagrada
Cap. 11 O cio, a recuperação de uma sexualidade sagrada
As deusas sujas
Animais que somos, precisamos manter nossos sentidos ativos e apurados sempre. Estar no cio não é só estar "no fogo do desejo de possuir e ser possuído" pelo ato sexual em si, mas estar atenta aos ciclos e necessidades vitais naturais a cada uma. A sexualidade/sensualidade nos foi sempre remetida a algo impuro, vil.
A etimologia da palavra inglesa "Dirty" lembra isso: Dirty word, dirty sex, dirty mouth, tudo que é feio, sujo, que faz menção a lama, que na verdade não significa a realidade, pois a lama é um ambiente extremamente rico em vida. Traz essa conotação pejorativa do ser sexual instintivo. Ou seja, é da sujeira que viemos e é nela que vivemos. Não se pode nega-la. Nossas histórias engraçadas e sujas podem nos salvar de muitas situações tristes e depressivas. A putaria nossa de todo dia, deixa tudo mais leve. Alimenta a estima. Isso tudo associado ao "riso sexual" nos traz alívio, reorganiza posturas e pensamentos tacanhos, traz vida, nos enche de alegria por estarmos aqui entre acertos e erros. O riso que tem o poder de desfazer e mudar uma condição triste. Nesse capitulo vimos como é importante compreender que precisamos alimentar nossa sexualidade/sensualidade de forma saudável com humor, apesar de nossa cultura e criação ter nos podado e sugerido que "mulheres sérias" na abrem os dentes para todo mundo. Só que mulheres sérias não gozam, pois o riso está diretamente associado ao poder de gozar. Mulheres que gozam riem e riem muito.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Hilda Hilst 2 - Fundamento para uma existência liberta
“O que muda na mudança,
Se tudo em volta é uma dança
No trajeto da esperança
Junto ao que nunca se alcança?”
(Carlos Drummond de Andrade)
Fundamento para uma existência liberta
Se vives no descompasso
de um amor revolto
Se preferes tempestade
à maresia imposta de
amores impostados
Se valsas em tua existência
com corpos sem fim de acabar
Tens a sabedoria
de saber-se inconclusa:
antes de mulher,
ser humano
antes de sonhadora,
Clódia.
Antonia Simões
19-08-2011
19-08-2011
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Hilda Hilst - Liberdade - Novas formas
Liberdade
(Tentando compreender Clódia)
Por que me julgas fácil e sedutora
Se nem mesmo sabes dos meus pensamentos
Só porque cultivo em ti a liberdade do querer
Quero-te livres para que sigas teus desejos e não impeça que os meus se realizem
Quero- me livre para te amar do meu jeito
E te deixando partir não me partas em pedaços de dor
Quando me deixo parti sem ti, é porque sei que te levo comigo
Que partilho a nossa responsabilidade do amor e liberdade
Deixando nos livres, voltamos porque é assim nosso desejo
Não notas que assim te prendo a mim
Prendes-te a mim porque cultivo em ti a liberdade de ir
Condena-me por desejar?
O quanto aos teus desejos, os reconheces?
Achas justo que ignore aquilo que sinto ao me permiti viver outros amores
Queres que compactue contigo nessa dissecação de desejos e vontades?
Não percebes que me amas por eu ser livre
Sem amarras ou fora dos contextos que insistes em me inseri
Cultivando minha liberdade, liberto-te também
O por te sentires livres, tens medo
E dessa forma pretendes me prender.
Novas formas
Desejo outras bocas, para saber se é a tua que sacia minha sede;
Deito-me com outros corpos, para que assim me preencha do vazio que me deixas ao apenas me desejar;
Lanço-me nas aventuras dos novos amores, fazendo dos antigos alicerces de vida;
Não é por ser fácil, sou volátil;
Explodo em desejos,
Queimo totalmente as desventuras dos amores mal resolvidos;
Quero ser feliz nesse momento
O agora me rege, me guia
Nele faço novas formas de ser e de sentir.
LUANA AMARAL
18-08-2011
(Tentando compreender Clódia)
Por que me julgas fácil e sedutora
Se nem mesmo sabes dos meus pensamentos
Só porque cultivo em ti a liberdade do querer
Quero-te livres para que sigas teus desejos e não impeça que os meus se realizem
Quero- me livre para te amar do meu jeito
E te deixando partir não me partas em pedaços de dor
Quando me deixo parti sem ti, é porque sei que te levo comigo
Que partilho a nossa responsabilidade do amor e liberdade
Deixando nos livres, voltamos porque é assim nosso desejo
Não notas que assim te prendo a mim
Prendes-te a mim porque cultivo em ti a liberdade de ir
Condena-me por desejar?
O quanto aos teus desejos, os reconheces?
Achas justo que ignore aquilo que sinto ao me permiti viver outros amores
Queres que compactue contigo nessa dissecação de desejos e vontades?
Não percebes que me amas por eu ser livre
Sem amarras ou fora dos contextos que insistes em me inseri
Cultivando minha liberdade, liberto-te também
O por te sentires livres, tens medo
E dessa forma pretendes me prender.
Novas formas
Desejo outras bocas, para saber se é a tua que sacia minha sede;
Deito-me com outros corpos, para que assim me preencha do vazio que me deixas ao apenas me desejar;
Lanço-me nas aventuras dos novos amores, fazendo dos antigos alicerces de vida;
Não é por ser fácil, sou volátil;
Explodo em desejos,
Queimo totalmente as desventuras dos amores mal resolvidos;
Quero ser feliz nesse momento
O agora me rege, me guia
Nele faço novas formas de ser e de sentir.
LUANA AMARAL
18-08-2011
Florbela 2 - Saudade
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim.
Florbela Espanca
Nesses tempos de despedidas
A saudade é minha melhor companhia
Acompanha-me a cada canto que em me encontro vazia
Vazia das pessoas que fui perdendo nos trajetos da vida
Preenchida de presenças de vidas ausentes
Ausentes do mundo, mas presentes em mim
Como viver esse paradoxo de ser e não ter mais
Isso só a saudade explica,
Pois é ela que me recheia.
Luana Amaral
Recife, 17/08/2011
Florbela - Canto d’alma
“Há uma primavera em
cada vida:
É preciso cantá-la
assim florida
Pois se Deus nos deu
Voz, foi pra Cantar!”
Florbela Espanca
Canto d’alma
Que minha alma cante
Cante alegre para
saudar a vida
Cante em cada canto
escuro que me não atrevo ir
Cantos de luz
Que em noites escuras
do ser
Seja como uma lua cheia
em mar aberto
Guie e mostre um som
berrante
Berre em voz grave para
que o medo se amedronte
Soe as belas musicas
que nessa alma se encontra
Se encante com esse
canto de amor.
Luana Amaral
(Recife,
17/08/2011)
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